quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Peido Filosofal e a Ordem da Baunilha Podre

Sei que não devia agoirar agora no suposto ressurgimento da nação mas há algo que me preocupa imenso com este nosso sempre recém-nascido Portugal. Tudo bem que uma ecografia até podia dizer que o nosso infante país vai renascer forte, saudável e com um coração capaz de o fazer respirar até outra Troika, só que creio  que o problema principal se vai prender, não com o parto ou com a gravidez, mas sim, com a educação. Quem vai educar Portugal? Os portugueses claro está. E algo anda muito fodido com os portugueses, principalmente com os filhos deles. Um pouco como no final do Regresso ao Futuro.

Tudo bem que eu sou do tempo em que o principal herói tinha nome de hemorróida- falo do Songoku - tanto que quando vejo que os heróis de agora são os do SS (Secret Story, não confundam), depois SS2, SS3 e SS4 - tudo que eu sempre associei às transformações cabeludas do meu nipónico extraterrestre herói de infância - fico bastante preocupado.

Ora os putos de dez anos até há bem pouco tempo, antes da rede de consciência colectiva e inimiga dos neurónios que é o facebook, tinham uma vida. Não tinham vida social, pelo menos, não uma que se possa chamar assim hoje, tinham antes amigos, e o conceito de vida social daquele tempo - algo muito diferente do conceito de vida social presente na verborreia moderna. Dantes suavam e corriam quando lhes diziam para não o fazer. Agora é o contrário. Dizem para correr e suar e eles é que o evitam. Agora vivem aparências e têm reputações. Têm milhentas redes sociais para se publicitarem. São obcecados pelas marcas e pela uniformização e nem sequer se dão conta disso.

Tenho a certeza que uma eventual notícia sobre a obrigatoriedade do uso de uniforme nas escolas secundárias seria mal recebida pela comunidade estudantil. No entanto eles já se vestem todos da mesma maneira.

Os putos agora, numa glória pré-pubescente já atingem o cúmulo da idiotice associada aos catorze, quinze anos. Este indicador não seria mau caso o fim desta época de parvoíce acabasse também mais cedo. Acontece o contrário. A idiotice prolonga-se até ao fim da escolaridade obrigatória.
Isto assusta. 
Um exército de adolescentes desde os oito anos, carregados da arrogância de um saber inexistente, caminha no mesmo chão que os restantes mortais. O fruto da americanização, não da boa (a menos má pelo menos), mas da pior de todas - vive!  

Eles parecem Vanilla Ices que tentam desesperadamente ser Tupacs ou Eminems. Com a burrice deglutem e defecam tudo o que de bom podiam saber e criam uma educação paralela. Como? Comem a merda uns dos outros.
 Elas parecem Christina Aguileras que tentam ser Rihannas ou outros híbridos que tais e brandem a expressão vitoriosa de quem ganhou mil guerras. Semicerram os olhos, fazem um beicinho de quem sorve por uma palhinha uma bebida que há muito acabou mas como essa bebida é inexistente apenas parece que guardam para si um peido tão colossal que todo o mundo sucumbiria caso fosse libertado - daí talvez surja o ar superior. Se calhar sentem-se assim por cumprirem a sua função correctamente. A função de guardar aquela arma de destruição maciça, aquele tremendo mal do mundo, é certamente honrosa. Claro que o ar superior também pode advir do facto de algumas adolescentes de hoje já baterem mais punhetas que os rapazes. Isso pode ser uma mais-valia para uma vida social e de facto provocar orgulho. 

Sinceramente já não compreendo.

Repito.  O futuro do bebé país mete-me medo. Não parece nada prometedor. Recomendo o aborto. Trata-se de uma violação. Só pode.

Ai Portugal, Portugal, deste o peido filosofal,
Quando tentas o ressurgir
Nunca voltas a nascer igual.
O que está bem tendes a destruir,
Só não mudas o que já estava mal.

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